quarta-feira, 26 de junho de 2013

Base de Haddad manobra para impedir CPI dos Ônibus

O PT e a base governista na Câmara de São Paulo estão usando todas as manobras regimentais possíveis para barrar a CPI do Transporte Público. Alheios à pressão da população e dos movimentos sociais, os vereadores não querem aprovar uma investigação que abra a chamada "caixa preta" do sistema, tornando transparentes as planilhas de custos e quanto dinheiro público é repassado para as empresas e cooperativas de ônibus.

São necessários 28 votos para decidir por mais uma CPI na Câmara (é obrigatório pelo regimento interno o funcionamento de pelo menos duas, e já estão instaladas a CPI dos Estacionamentos e a CPI da Exploração Sexual). Se aprovada a abertura de uma terceira, a pressão da opinião pública é favorável à CPI do Transporte Público proposta pelo vereador Ricardo Young (PPS), no contexto de todas as manifestações de rua ocorridas nas últimas semanas.

A manobra coordenada pelo líder do Governo, vereador Arselino Tatto (PT), e pelo líder da bancada petista, vereador Alfredinho, com apoio dos vereadores mais experientes da base governista - como Dalton Silvano (PV), Wadih Mutran (PP) e Nello Rodolfo (PMDB) - é votar rapidamente a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e iniciar o recesso parlamentar de julho, empurrando para o segundo semestre qualquer discussão sobre o transporte (e apostando no esfriamento do assunto).

Outra "esperteza" da bancada governista foi desarquivar uma CPI proposta pelo vereador Paulo Frange (PTB), segundo o próprio autor "há 12 anos, desde 2001", e reapresentada em fevereiro de 2013 (no início de cada legislatura várias CPIs são propostas, para que pelo menos duas de "consenso" sejam instauradas).

Será possível que uma CPI proposta desde 2001 possa dar as respostas que a população que foi às ruas está cobrando da Prefeitura e da Câmara Municipal? Difícil. Parece simplesmente uma CPI mais palatável para o governo, controlada pelos vereadores da base. Uma encenação em resposta à cobrança da sociedade. Porém, em tese alguns dos problemas do setor são crônicos.

Há até uma "coincidência" intrigante: o secretário municipal dos Transportes de Haddad, Jilmar Tatto,  ocupava o mesmo cargo na gestão de Marta Suplicy (2001/2004), foi na época o responsável pela assinatura dos contratos bilionários do sistema de transporte, em vigor até hoje, e esteve envolvido em uma série de polêmicas com a chamada "máfia do transporte". Tutti buona gente!

E a tal CPI genérica do governista Paulo Frange, por que não foi aprovada antes, se o vereador afirma que ela continua tão atual e oportuna? Segundo declaração do líder do PTB, porque o seu partido foi "atendido pelo governo em outros espaços políticos" (oi????? como assim?????). "O PTB, com quatro vereadores, ganhou a Secretaria de Esportes para o vereador Celso Jatene e colocou o vereador Adilson Amadeu na Mesa Diretora da Câmara; então aprovamos CPIs que atendiam outros colegas, pois o PTB já tinha o seu espaço." Sincero, explícito e revelador: os interesses da cidade ficam em segundo plano; a prioridade é o seu partido.

A CPI do Transporte Público proposta por Ricardo Young (PPS), com apoio de outros 20 vereadores, é defendida pelo MPL (Movimento Passe Livre) e por diretórios acadêmicos das principais faculdades paulistanas. Os jovens prometem retomar as manifestações de rua - agora com o foco voltado à Câmara Municipal - até a abertura da CPI.

De acordo com o líder do governo, Arselino Tatto, com a redução da tarifa de R$ 3,20 para R$ 3,00 a CPI tornou-se desnecessária, como se a única preocupação de todos fossem os tais 20 centavos. "É natural que a oposição queira surfar nisso. Mas nós vamos defender na base que o voto seja contrário", afirmou.

Estranho o comportamento do PT, que de partido-modelo na oposição e defensor intransigente das CPIs passou a classificar como "irresponsabilidade" a abertura de comissões parlamentares de inquérito. O secretário Jilmar Tatto (irmão de Arselino e de outro vereador paulistano, Jair Tatto) chegou a declarar publicamente que a CPI só serviria para o "achaque" de empresários. "Sou totalmente contra porque CPI, quando se instala, geralmente é para ficar achacando o setor, não é para resolver, tirar dúvidas", afirmou. Quem diria...

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terça-feira, 25 de junho de 2013

CPI DOS ÔNIBUS

(Editorial da Folha de S. Paulo desta terça-feira, 25 de junho de 2013)

Câmara Municipal debate hoje abertura de investigação sobre transportes públicos em São Paulo; setores do PT já trabalham contra comissão

Os vereadores de São Paulo terão hoje excelente oportunidade para dar uma primeira resposta às marchas que paralisaram a cidade. Basta que ponham em votação, e aprovem, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o setor de transportes públicos da capital paulista.

O pedido para instalar a comissão foi protocolado pelo vereador Ricardo Young (PPS). Hoje, os líderes partidários na Câmara Municipal decidirão se a proposta entrará em pauta antes das que estão na fila há mais tempo. A depender do acordo, o plenário já poderá criar a CPI.

A ideia se tornou prioritária. Embora as manifestações tenham adquirido caráter eclético, elas começaram como um protesto contra o aumento de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus e metrô.

Seria decepcionante, porém, se no plano municipal os protestos dos últimos dias se esgotassem na reversão do aumento (segundo o Datafolha, 66% dos paulistanos querem que as manifestações prossigam). A questão tarifária é só a primeira das pendências relativas às concessões de ônibus na cidade de São Paulo.

Reportagem desta Folha mostrou que o Ministério Público investiga uma situação "sui generis": o balanço de empresas de ônibus que operam na cidade apresenta prejuízo, mas seus proprietários fazem movimentações milionárias, algumas das quais consideradas atípicas pelo Coaf, órgão federal que apura lavagem de dinheiro.

Suspeita-se que os donos das companhias estejam envolvidos em desvio de recursos, troca de veículos novos por velhos e até venda de linhas de ônibus que não poderiam ser comercializadas, pois são uma concessão da prefeitura.

Talvez não seja coincidência que o Consórcio Leste 4, foco da averiguação, atue na zona leste paulistana, justamente onde é pior a qualidade do transporte público (informação da própria SPTrans, que gerencia as mais de 1.300 linhas de transporte de São Paulo).

Há ainda questões técnicas a serem elucidadas. Segundo o jornal "Valor Econômico", de 2006 a abril deste ano a receita média das empresas por passageiro cresceu 15% acima da inflação. Ainda que esse aumento decorra de cláusulas contratuais, seria oportuno esclarecer se foram feitos os investimentos previstos como contrapartida.

A Prefeitura de São Paulo, não é demais lembrar, fará no próximo mês licitação para selecionar novas empresas pelos próximos 15 anos. Estima-se que o negócio gire em torno de R$ 45 bilhões. É quase um truísmo cobrar maior controle sobre esse montante.

Como seria de esperar, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto (PT), investiu contra a CPI. Será lamentável se ele prevalecer, ou se, sob a influência de seu partido, a comissão entrar para o rol das que fazem muito barulho e nada esclarecem.

CPI é para achacar, diz secretário de Haddad


Jilmar Tatto (PT) afirma ser 'totalmente contra' comissão na Câmara para investigar transporte público municipal

Frase põe o secretário em rota de colisão com o presidente da Câmara paulistana, o também petista José Américo

(Folha de S. Paulo)

O secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, disse ontem que uma CPI na Câmara Municipal para investigar o sistema de transporte da cidade seria usada para achacar empresários.

"Sou totalmente contra, porque CPI, geralmente, quando se instala, é pra ficar achacando o setor, não é pra resolver, tirar dúvidas", disse Tatto, que é deputado federal licenciado pelo PT.

Há hoje na Casa dois pedidos de investigação sobre a área --um proposto por Ricardo Young (PPS) na última semana e outro de Paulo Frange (PTB), do início do ano.

Tatto afirmou ainda que não vê necessidade de uma CPI, pois, segundo ele, todas as informações do setor são enviadas à Câmara e a outros órgãos, como o Ministério Público. "Não tem caixa preta."

Para o secretário, é importante que a sociedade aproveite as manifestações pela redução das tarifas para debater a organização do sistema e até a lucratividade dos empresários, mas a criação de uma comissão iria "desviar o foco de como melhorar o sistema de transporte".

A Presidência da Câmara, comandada por José Américo (PT), rebateu a declaração do secretário do prefeito Fernando Haddad, também petista. Em nota, afirmou que as CPIs propostas estão fundamentadas em "princípios estritamente republicanos de transparência e zelo pelos recursos públicos". "Nenhuma comissão é criada com a intenção de prejudicar qualquer setor da sociedade."

Haddad já teve atritos com a bancada do PT na Câmara, após vetar, em maio, projetos de lei de vereadores da sigla.

Petistas procurados ontem pela Folha não quiseram comentar a fala de Tatto. A presidente municipal do partido, vereadora Juliana Cardoso, disse que precisava "ver o contexto" antes de falar.

Integrantes da oposição reagiram à fala de Tatto. Young insinuou que o petista atua a favor dos empresários do setor e quer convocá-lo para explicar a declaração, caso a CPI seja instalada.

"Não entendo o secretário dizer um absurdo desses. Ele está do lado de quem? Ele tem lado?", questionou. "Ele terá de se explicar."

Floriano Pesaro, líder do PSDB, ironizou a fala do petista. "Só posso lamentar que o secretário tenha essa visão de uma CPI, não sei se por experiência própria", afirmou.

O pedido de CPI protocolado por Young recebeu apoio de 23 vereadores, entre eles cinco petistas. Ele buscará hoje entendimento entre os líderes dos partidos na Câmara para que seja votada em plenário a criação de uma CPI em caráter excepcional --para isso são necessários votos de 28 dos 55 vereadores.

Líder do PT na Casa, o vereador Alfredinho diz que a assinatura de petistas no requerimento não significa que o partido votará pela abertura da investigação. Segundo ele, a Câmara precisa ter "cuidado" com CPIs criadas apenas com "intenção política".

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Líder? Que líder? Será o fim da velha política?

O que o Movimento #VemPraRua vem causando? Primeiro, a crise mais óbvia: os governantes estão perdidos, batem cabeça, fazem pronunciamentos vazios (quando não, desastrosos), anunciam uma medida de manhã e recuam à noite (como fez Haddad com a revogação do aumento da tarifa em São Paulo), mostram-se constrangidos ou simplesmente omissos.

Segundo, a crise mais grave e complexa: a maioria ainda não entendeu a força das redes sociais e o estrondoso sucesso de um movimento "(des)organizado", alheio às estruturas tradicionais da política e da sociedade (governos, partidos, sindicatos, igrejas, entidades), que surgiu como resposta espontânea da sociedade indignada com os desmandos e abusos dos atuais ocupantes do poder, clamando por uma nova forma de fazer política e a redemocratização da democracia.

Aí, qual é a reação automática dos políticos, seguindo a lógica das velhas cartilhas da política partidária, incluída a presidente Dilma Roussef no pronunciamento desta sexta-feira, 21 de junho? Anunciam a disposição de "dialogar com os líderes do movimento". Ora, ora. Não entenderam nada, realmente.

Não há líderes nesses movimentos populares surgidos espontaneamente nas redes, meus caros velhos políticos. Não existe comando, nem hierarquia. Predomina a horizontalidade. Não existe "núcleo", é a manifestação das "bordas". O que prevalece é um ativismo autoral (para usar os termos de alguém que compreende há algum tempo o que está acontecendo: Marina Silva).

É importante que se diga: nem o Movimento Passe Livre, que existe há oito anos com uma dezena de jovens inteligentes e bem articulados, lidera coisa alguma, apenas desencadeou a onda de protestos ao mostrar que é possível mobilizar a sociedade e pressionar os políticos por uma causa justa.

Aliás, vamos comparar o que dizem quatro políticos sobre os últimos acontecimentos. É um exercício bastante revelador. Leia abaixo a íntegra do pronunciamento de Dilma Roussef (PT), e na sequência artigos de Marina (Rede Sustentabilidade),  Fernando Gabeira (PV) e do deputado Arnaldo Jardim (PPS).

Íntegra do pronunciamento de Dilma Roussef 

Minhas amigas e meus amigos,

Todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país. Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.

Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder.

Como presidenta, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia.

O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República.

Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.

O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos. Essa violência, promovida por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático. Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo.

Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.

Brasileiras e brasileiros,

As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira.

A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros.

Sou a presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam. A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática.

Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. Todos me conhecem. Disso eu não abro mão.

Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar.

Irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.

O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de cem por cento dos recursos do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente.

Brasileiras e brasileiros,

Precisamos oxigenar o nosso sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar.

Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes.

Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor.

Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.

Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação.

Não posso deixar de mencionar um tema muito importante, que tem a ver com a nossa alma e o nosso jeito de ser. O Brasil, único país que participou de todas as Copas, cinco vezes campeão mundial, sempre foi muito bem recebido em toda parte. Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes. O futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos. O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa.

Minhas amigas e meus amigos,

Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça.

Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.

Boa noite!

Marina Silva: "Aprendizado essencial"

Ninguém deveria estar surpreso, sabíamos que iria ocorrer. A internet ajuda a mudar tudo: a cultura, os negócios, as comunicações. Por que só a política não seria afetada?

Carlos Nepomuceno diz que três fatores ajudaram a transformar o mundo: a impressão em papel, a Revolução Francesa e a independência dos EUA. Eles compuseram a realidade de dois séculos e nos trouxeram até aqui, mas são insuficientes para configurar um mundo com 7 bilhões de pessoas e uma ferramenta que quebra as estruturas convencionais para intermediar a informação, a internet.

Tenho falado, aqui mesmo na Folha, daquilo a que chamo movimentos de borda. Eles se afastam do centro político estagnado, das instituições enrijecidas, das disputas por dinheiro e poder. Neles predomina um ativismo autoral, não mais dirigido por partidos ou lideres carismáticos. A presença destes é residual e produz incômoda sensação de oportunismo. Não há comando único, há relação horizontal e lideranças móveis: hoje lidero, amanhã sou liderado; hoje sou arco, amanhã sou flecha.

Esse ativismo não tem porto, carrega sua âncora e estaciona onde quer. Basta ver quantos sites temporários há na internet, usados numa mobilização ou num momento.

O essencial é perceber o que está latente. Não são os 20 centavos no Brasil, as árvores da praça na Turquia, ou qualquer demanda simbólica visível. O que está em pauta é a democratização da democracia. As pessoas não querem ser meros espectadores, lugar em que foram colocadas pelos partidos que detêm o monopólio da política. Querem ser protagonistas, reconectar-se com a potência transformadora do ato político.

Deve-se reconhecer esse desejo e respeitar o sujeito político que surge. Muitos se apressaram em desqualificar os novos movimentos, os abaixo-assinados, a campanha de defesa das florestas, a solidariedade aos índios, o "Fora Renan". Agora se esforçam para descobrir uma forma de interlocução, mas mantendo a ansiedade de liderar, usurpar, controlar.

Não basta dar 20 centavos para tirar o incômodo da sala. O que está havendo é significativo: no país do futebol, durante a Copa das Confederações, as pessoas protestam contra o custo dos estádios e dizem que queremos nosso dinheiro em saúde e educação.

O Brasil pode aprender a fazer diferente: nem transição eterna e lenta nem ruptura brusca, mas o diálogo produtivo e criativo da democracia ampliada. Temor de vandalismo? Ora, cultivemos uma cultura de paz. Prefiro sentir-me representada pelas pessoas que estão nas ruas, dizendo o que não querem, a exigir que tenham projetos definidos.

Não há salvadores da pátria, há homens e mulheres que trabalham juntos. Que seja este nosso aprendizado essencial, nossa maior mudança.

Fernando Gabeira: "Sra. Rousseff, alguma coisa acontecendo"

Alguma coisa está acontecendo e eu não sei exatamente o que é. Antes dos conflitos de rua no Brasil, recebi o livro de Manuel Castells-Redes de Indignação e Esperança. Castells é professor numa universidade da Califórnia e dedica-se ao estudo das redes e sua importância neste início do século. Examinou a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, o movimento dos indignados na Espanha e o caso da Islândia.

Antes mesmo desses movimentos, Castells via nas redes o caminho por meio do qual uma nova geração de ativistas buscaria mudança política fora do alcance dos métodos habituais de controle político e econômico. Segundo Castells, esses movimentos são mais voltados para explorar o sentido da vida do que para conquistar o Estado capitalista.

Essa observação é, para mim, curiosa. Nos anos 6o, alguns, como eu, transitaram do existencialismo para o marxismo. Agora, o existencialismo parece estar de volta. De novo, uma parcela da juventude sai em busca do sentido: conectar as mentes, criar significados, contestar o poder é a frase que Castells utilizou para sintetizar o programa dessas redes.

Se isso é verdadeiro para o Brasil, os R$ 0,20 de aumento dos ônibus foram apenas um dos pretextos para expressar a revolta. E os grupos da esquerda clássica, apesar de seu estardalhaço, funcionam aí apenas como aquelas lavagens na pedra que dão aparência de velho ao jeans que acaba de ser fabricado.

Criar significados em política significa também colocá-los na mesa para o debate. Não posso, por exemplo, condenar o Movimento Passe Livre porque no passado apoiei a tese do fim do passaporte no mundo. Até que me deparei com a gigantesca realidade da imigração internacional. A inquietação com o transporte coletivo pode ser existencialmente resolvida com a palavra de ordem passe livre. Mas apenas ela não muda a realidade dos que usam ônibus no Brasil.

O preço é amparado no aumento da inflação, que não deveria ser a única referência. Conforto, pontualidade, respeito ao usuário, condições de trabalho

dos motoristas, tudo precisa ser monitorado. Mas existe uma cumplicidade histórica de vereadores e deputados com as empresas de ônibus. No Rio de Janeiro, por anos, houve até pagamento mensal na Câmara. Mensalinho, mensalão, olha pro céu olha pro chão.

Lutar só pelo passe livre nos remete a um ônibus utópico. O que fazer com pessoas esgotadas depois de um dia de trabalho? Dizer, ano após ano, “coragem, irmão, o reino de Deus está próximo”?

A única cidade que adotou o passe livre, Porto Real, no Rio de Janeiro, o fez para atrair grandes empresas que queriam se instalar lá: Coca Cola e Citroen Peugeot. Foi um cálculo econômico e eu vou lá para estudar o caso.

Um dos aprendizados mais importantes para a geração que saiu às ruas no passado é o compromisso com a democracia, o que significa rejeitar a tese de que os fins justificam os meios. A violência derruba as melhores intenções. Ela é o inimigo interno que corrói a simpatia popular e acaba esvaziando as ruas. Em alguns lugares do mundo, governos usam provocadores infiltrados para desmoralizar o adversário.

Conselhos são vistos com desprezo num momento como este. Mas a história não começa do zero. Essa presunção é absurda e só tem validade na cabeça do PT, que acredita ter inaugurado o Brasil, em 2003.

Como as inquietações se transformam em mudanças, se a própria timoneira parece perdida? Dilma diz que está tudo maravilhoso, e tome vaia da torcida. O governo trouxe a Copa do Mundo para o Brasil por achar que isso era uma trunfo eleitoral imbatível. Todos os seus defensores afirmam que foi uma condenação da classe média alta. Como se fosse preciso examinar a renda antes de avaliar o peso de um protesto e como se as ruas de todo o País, de São Paulo a São Gonçalo, estivessem tomadas por gente da alta classe média.

É um momento duro para ela. Mas foi o PT que fez baixar o mais pesado manto de cinismo sobre a vida política brasileira. Dilma afirmou um dia que não tem perfil de candidata. Concordo com sua análise. No entanto, foi eleita num período de crescimento econômico, de esfuziantes gastos oficiais e milhões consumidos na máquina de propaganda.

Isaiah Berlin compara as habilidades de um governante às de um motorista que precisa de reflexos porque se vê, constantemente, diante de situações novas e inesperadas. De nada adiantam erudição e conhecimento histórico nem o batalhão de conselheiros. Há uma solidão inescapável do ofício do estadista.

Dilma foi embriagada pela dose de otimismo que o marketing ministrou. Afirma que são terroristas os que alertam para a inflação. Em seguida, diz que o governo vai dar a volta por cima. Segundo a própria canção, só se dá a volta por cima depois de uma queda e de sacudir a poeira.

Ela lançou uma lei de acesso a informações e proíbe os assessores de divulgar dados sobre suas viagens oficiais, hotéis, comitivas, gastos, sobretudo gastos.

Quando a maré baixa, dizem os analistas econômicos, fica evidente quem está nadando nu. Isso vale para os atores políticos nas grandes viradas históricas.

Lula diz que elegeu postes para melhor iluminar o Brasil. Referia-se a Dilma e a Fernando Hadad. E muito poético, até que se descubra a realidade úmida do poste, quando adotado pelos cachorros da vizinhança.

Para mim, o sistema de dominação que transformou a política brasileira num bordel entrou em declínio.

Na Islândia, que é muito pequena para ser um modelo, as revoltas desembocaram numa substituição do governo, numa nova maneira de gastar o dinheiro e numa Constituição moderna, que busca integrar a participação popular, potencializada pela revolução digital.

Alguma coisa está acontecendo no Brasil. Você pode ser contra, a favor ou mesmo ficar em cima do muro. Mas não pode negar a frase de Galileu Galilei: Eppur si miove” (Ainda se move)

Arnaldo Jardim: “E agora José...”

“Você que faz versos,
Que ama, protesta?...
... E agora José?
Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?....”

(Carlos Drummond de Andrade)

O transporte público no Brasil é uma calamidade e a partir daí as redes sociais despejaram nas ruas milhares de brasileiros e seus protestos exigindo que não aumentassem as tarifas de ônibus, trens, barcas e metrôs. Mais do que isso, que não mais cobrassem passagem alguma, que dessem conserto na saúde, na educação; um basta à corrupção e parassem de mandar a polícia militar bater em quem mais se manifestar.

Outros mais foram às ruas, a polícia recolheu-se e os governantes de Rio e São Paulo anunciaram àquela massa difusa que contestava seu poder que sim, voltavam atrás e à tarifa anterior. Até segunda ordem, não haverá aumento de passagem... Também em outras capitais e cidades.

Li notícias e análises, ouvi noticiários conversei com meus filhos – que foram à passeata – e com muitas outras pessoas. É grande a minha alegria de ver a cidadania sendo exercida. Eu me formei cidadão em ambiente semelhante, como líder estudantil, participante de manifestações contra a ditadura, pelas eleições diretas. Saúdo como um saudável suspiro democrático. Desejo que o movimento traga à tona uma série de temas, sobre a qualidade dos serviços públicos, sobre a condução da nossa economia e faça também emergir ideias e novas lideranças.

É preciso construir um espaço político para fazer política quando as instituições hoje corroídas e corrompidas, infelizmente não atendem às exigências que os cidadãos já contabilizam pela via da democracia eleitoral. É preciso irrigar e renovar as instituições aproximando-as da realidade que os cidadãos expõem nas ruas.

O que aconteceu – ilustrado pela quantidade de reivindicações postadas no bornal dessa enorme manifestação centopéica – expõe a absoluta falta de diálogo que preside a sociedade brasileira. O exercício político dos últimos tempos evidencia uma prática empobrecida do “nós contra os outros”, que soma inúmeras demandas especificas e não é capaz de colocá-las dentro de um projeto nacional. Isto pode ser profundamente danoso à democracia, cujo fundamento é o respeito às diferentes visões de mundo, à vontade da maioria e o reconhecimento das instituições.

Vejo também a ausência de lideranças e interlocutores – a prova disso é que não havia representantes do movimento ao lado dos governantes quando anunciaram a capitulação diante dos telespectadores. Da mesma forma não tem havido sensibilidade política das lideranças formais do país para se aproximar do cerne democrático do movimento. Os objetivos são dispersos e é lamentável – o que precisa ser coibida sem concessões – a ação de grupos sectários, que depredando o patrimônio público e privado, têm fraudado a índole pacífica de milhares.

A substância da massa que agora confronta políticos e governantes mais se parece com aquela dos caras pintadas que puseram fim ao governo de Fernando Collor. Está muito longe do projeto coletivo de resgate democrático das “Diretas Já”, por exemplo, quando multidões cardeais caminharam para a construção institucional brasileira arrebanhando estudantes, profissionais liberais, sindicalistas, igrejas, operários e suas representações.

As manifestações de agora ainda têm uma textura de “flashmob” – ação combinada pelas redes sociais para provocar impacto coletivo momentâneo, sem compromisso de evoluir para desenvolvimentos mais complexos, como são os da política, por exemplo. Os manifestantes não querem saber de partidos políticos, pedem que abaixem suas bandeiras, mas não os excluem. Será necessário falar de política, não partidária e eleitoral, mas de propostas globais, de prioridades, de “visões de mundo” que viabilizem transformações profundas e duradouras.

As redes sociais contribuíram para que as pessoas se organizassem e chegassem às ruas na proporção que estamos assistindo. E aí considero a importância de identificar os anseios da sociedade por meio dessas ferramentas, estabelecer com ela o diálogo democrático e responder às questões formuladas em conjunto com instituições mais modernas. Se acolherem o contraditório e a discussão plural as redes podem realmente vir a ser no Brasil um saudável berço de democratização política e de exercício da ética.

Espero, e somarei esforços para isto, que os manifestantes pretendam aprofundar e renovar o diálogo democrático, metendo fundo o dedo no conteúdo de suas reivindicações. Além de estabelecer claras lideranças, terão que discutir as contendas dentro do Congresso Nacional, com o Executivo e com o Judiciário, poderes que presidem a República Federativa do Brasil, sustentada por uma Constituição promulgada à custa de muita luta cujos 25 anos se comemoram neste ano.

O alerta é saudável e tem endereço certo. No rastro dos outros, o governo central de hoje optou claramente pelo transporte individual, e cometeu mais uma desnorteada distração ideológica da política econômica que imagina a redenção social do brasileiro pregada na cruz do consumo.

Estar atento a esse puxão de orelhas que vem das ruas, reorganizar sua pauta, refazer seu funcionamento, incorporar definitivamente a ética como valor central, é isto que as instituições e, particularmente, a Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional teem obrigação de fazer. Que este ar fresco venha para fixar e oxigenar a nossa democracia e coloque sob condições mais justas e promissoras nosso país e seu povo! 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vamos falar sério, prefeito Fernando Haddad?

Carlos Fernandes, presidente municipal do PPS/SP

Caro prefeito, se o senhor, como afirma, está realmente ouvindo a "voz das ruas" e pretende mostrar que a promessa do "novo" não foi apenas um slogan eleitoral, está nas suas mãos fazer uma gestão-modelo à frente da Prefeitura de São Paulo.

Que o bem sucedido movimento pela redução da tarifa possa lhe inspirar a atender o que é prioritário para o cidadão paulistano. Como foi dito nas ruas, não eram apenas os 20 centavos: é a qualidade do transporte público, da saúde, da educação, da moradia, da descentralização administrativa e da eficiência no atendimento das subprefeituras, por exemplo, o que cobra a população. 

Em vez de argumentar que, por conta do recuo no aumento do ônibus, serão sacrificados os investimentos no município, elegendo injustamente como vilões as creches, as escolas e os hospitais, que tal começar pela eficácia e pelo enxugamento da própria máquina administrativa? 

Pois vejamos: se em 2013 o prejuízo no caixa municipal, como alega Haddad sem os R$ 0,20 adicionais, será da ordem de R$ 175 milhões por conta do subsídio para custear o transporte na cidade, de onde a Prefeitura pode tirar esse dinheiro? (E que não seja das áreas sociais, como é dito agora, meio em tom de ameaça, meio de álibi preventivo).

Ora, a Prefeitura acaba de abrir mão de cerca de R$ 150 milhões ao isentar motoristas da inspeção veicular obrigatória, um retrocesso ambiental inexplicável quando em todos os países mais desenvolvidos vale o princípio do poluidor-pagador. 

Outros R$ 25 milhões, em média, estão sendo gastos com 348 cargos de livre provimento criados no município, para atender as novas secretarias implantadas na gestão petista, e a ocupação de outros 390 cargos que estavam "congelados" na administração anterior. 

Esses dois únicos itens (inspeção veicular e enxugamento de cargos) já fecham o suposto rombo de R$ 175 milhões causado pela revogação do aumento de R$ 0,20 da tarifa no caixa de 2013. Mas não é só isso: uma gestão moderna deve primar pela economia, pela transparência e pela eficácia, certo? Será que não há outros cortes e ajustes possíveis entre 30 secretarias municipais e um Orçamento de R$ 36,8 bilhões?

Aí avaliamos outros dados deste primeiro semestre de gestão: as multas por desobediência à Lei da Cidade Limpa caíram 90% em relação ao ano passado; as multas pelo desrespeito ao PSIU (Programa de Silêncio Urbano) caíram 26%. Parece coisa ínfima, mas demonstra o afrouxamento da administração na fiscalização do cumprimento de leis. Enquanto isso, penaliza o usuário do transporte público com o aumento de tarifa.

Na realidade, o fantasma que ronda as finanças da Prefeitura não são os R$ 0,20 e sim a escalada da inflação e a alta dos juros da dívida com a União, além da mencionada má gestão. Como cumprir as promessas ditadas pelo marqueteiro da campanha de 2012, se o igualmente prometido socorro do governo federal parece ter se esgotado? A manipulação das tarifas acaba sendo a saída mais fácil para atender à conveniência política imediata.

Com os problemas cotidianos, a mobilização e a cobrança crescente dos cidadãos paulistanos é que veremos se Haddad é, de fato, "um homem novo para um tempo novo", ou simplesmente mais do mesmo, do velho PT.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

PT e PSDB: os dois lados da moeda de 20 centavos

Dos males, o menor: o cidadão paulistano vai pagar 20 centavos a menos na tarifa do transporte coletivo (ônibus, trem e metrô), graças à pressão legítima iniciada pelo Movimento Passe Livre e que ganhou força nas redes sociais com o #VemPraRua, copiado em várias outras cidades e ampliado para incontáveis temas que também provocam a indignação do brasileiro (leia Exaustão, de Eliane Cantanhêde).

Porém, o que chamou mais atenção no pronunciamento histórico desta quarta-feira, 19 de junho, foi o visível constrangimento do prefeito Fernando Haddad (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para anunciarem que a tarifa voltaria a custar R$ 3,00.

No twitter @md33sp comentamos a situação inusitada:

“URGENTE: Haddad e Alckmin vão anunciar redução da tarifa de metrô e ônibus”. Perguntamos: Intenção é calar os protestos?

Ao reduzir tarifa p/ R$ 3,00 e cedem às pressões mas demonstram fraqueza política. Aumento era necessário?

Se é justo e possível não aumentar tarifas, pq e aumentaram? Se era necessário, pq reduzir? Medo do povo?

Constrangimento estampado na cara de e durante anúncio da tarifa de R$ 3. Que situação para unir PT/PSDB!

Dos males o menor p/ o povo: economiza 20 centavos na tarifa e demonstra força do movimento . Mas políticos acusam golpe: nocaute!

Emblemática postura de e no anúncio dos R$ 3,00: constrangidos e cabisbaixos. Gêmeos: mórbida semelhança.


Esperamos que PT e PSDB não se vinguem do quebra-quebra nos respectivos palácios "quebrando" agora Estado e município sob alegação do corte!

Agora aguardem: tudo que e cortarem de ações, obras e investimentos será atribuído aos tais 20 centavos!

Haddad demonstra que é o "novo" PT: declara uma coisa de manhã e anuncia o contrário à tarde, por ordem de Lula e João Santana. Quem manda?

Haddad afirmou, repetiu, reiterou: não podia baixar a tarifa para R$ 3,00. Mas aí papai Lula e mamãe Dilma desautorizaram o menino malufinho

O que esperar de governantes que justificam aumento "imprescindível" e horas depois se contradizem: mentira ou irresponsabilidade?

Não era só R$ 0,20... Agora é acabar com os 20% dos corruptos, cortar 20 ministérios da Dilma e colocar 20 mensaleiros na cadeia!

Governantes corruptos podiam pegar carona na redução dos 20 centavos e cortar também os 20% de praxe cobrados como Caixa 2, né?

“: Tarifa em São Paulo voltará a ser 3 reais. A população foi ouvida. ()” Errado: foi ouvido o marqueteiro do PT

Haddad "novo" é desmontado em 6 meses! Hoje mesmo negou que reduziria tarifa! Como confiar num (des)governo do PT chefiado por marqueteiro?

Essa é a questão: são incompetentes, mentirosos ou irresponsáveis? Dizem e se contradizem em uma semana! Vale tudo pelo voto?

Tarifa baixando p/ R$ 3,00 é a hora de provar que protestos não são só pelos 20 centavos! Chega de políticos fracos e incapazes!

Contra corrupção, violência, injustiça, por mais segurança, saúde, educação! Contra gastos da Copa, e volta da inflação!

Nada como o medo das urnas e o pavor de ser destronado do poder para unir PT e PSDB: os dois lados da mesma moeda de R$ 0,20

Petistas são tão demagogos e oportunistas que é capaz de cortarem R$ 0,20 do próprio salário para dizer que estão solidários aos protestos!

Que Guerra Mundial Z com Brad Pitta, que nada! Walking Dead pra valer é com @Haddad_Fernando, o primeiro zumbi-prefeito de SP: morto pelo PT

Enfim justificado "novo" Haddad mostrado na propaganda eleitoral com ares de Hollywood: em seis meses, prefeito é o 1º zumbi-político de SP!

Nossa solidariedade ao prefeito @Haddad_Fernando, o menino malufinho de Lula, morto em combate. Nem Salim foi tão rápido no abandono a Pitta!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dilma e Haddad dizem ouvir "voz das ruas", mas com tecla SAP de Lula e do marqueteiro João Santana

Neste momento histórico que vive o Brasil, a presidente Dilma Roussef e o prefeito paulistano Fernando Haddad dizem que estão ouvindo a "voz das ruas". Podem até ouvir, mas não compreendem. Precisaram ontem da tradução simultânea de João Santana e Lula, um marqueteiro e um milagreiro. Ou vice-versa. Tanto faz. Dá na mesma e causa a chamada "vergonha alheia".

É inadmissível, uma afronta à importância dos cargos que ocupam, que Haddad e Dilma abandonem seus postos, sem nenhuma cerimônia, para se aconselharem em reunião clandestina com o ex-presidente e com o marqueteiro-milagreiro responsável pela eleição dos dois "postes" de Lula. Dois inaptos.

Com a Prefeitura de São Paulo cercada por manifestantes, Haddad deixou o local num helicóptero da PM para local incerto. Sumiu pelos ares. Fugiu. Dias antes, em meio às primeiras manifestações, estava em Paris apresentando a candidatura de São Paulo para a Expo 2020, mas é incapaz de resolver os problemas urgentes da cidade em 2013.

Petistas reclamaram também que havia manifestantes na frente do prédio residencial de Haddad. Ora, mas o modus operandi do PT, enquanto oposição, sempre foi protestar na frente da casa dos prefeitos. Fez isso com Maluf, Pitta, Serra, Kassab. Verdade seja dita, petistas ilustres ainda hoje frequentam a casa de Maluf e Kassab, mas agora como convidados de honra, é claro.

Aí vem a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, surfista de ocasião, pegar onda na crise e listar os municípios que, segundo o governo, podem reduzir a tarifa graças à "dosoneração" presenteada pela presidente Dilma. Afirmou textualmente que a cidade de São Paulo poderia reduzir o preço em R$ 0,23 - o que, por si só, resolveria toda a polêmica do aumento de 20 centavos.

Dito isso, restariam apenas três saídas legítimas: 1) baixar a tarifa em São Paulo, se a informação da ministra é oficial do governo; 2) demitir a ministra, se é incorreta; ou 3) Haddad sofrer impeachment, se a informação é correta e ele mentiu. Mas alguém realmente acredita num gesto responsável por parte dos (des)governos do PT?

Indagada pela Agência Estado se o prefeito Haddad  poderia diminuir o preço das passagens, a ministra respondeu: "Eu não sei, cabe a ele responder. Nós fizemos a desoneração da folha e do PIS/Cofins. Agora cabe a cada município fazer seus cálculos e saber o quanto pode reduzir e o quanto pode se aproveitar desta desoneração que o governo federal está fazendo".

Como era de se esperar, Gleisi logo voltou atrás, tentou justificar a trapalhada e livrar a cara de Haddad. Ao comentar o cenário de São Paulo, a ministra disse que o governo federal já abriu mão dos 23 centavos em impostos federais na tarifa paulistana antes do aumento para R$ 3,20.

"O que quisemos aqui foi mostrar que o esforço do governo federal em redução de impostos abriu espaço para ajudar as prefeituras na administração do preço das suas passagens, ou para reduzir, ou para aumentar menos", comentou Gleisi. Puro oportunismo e damagogia.

Leia também:

Antonio Prata: A passeata

Elio Gaspari: O Monstro foi para a rua

terça-feira, 18 de junho de 2013

BRASIL VAI ÀS RUAS E FAZ HISTÓRIA


Tudo o que se disser agora será pouco e inconclusivo. O fato é que está se escrevendo a nova história do país. Consolidada a democracia, o povo quer mais. Estamos no "Era uma vez..." e pretendemos chegar ao "Viveram felizes para sempre".

O "vem pra rua, vem, contra o aumento" foi a primeira onda do verdadeiro tsunami que se forma no Brasil, exigindo mais respeito, qualidade de vida, melhorias na educação, saúde, transporte, segurança, justiça, contra os abusos de poder e a corrupção, e por uma nova política.

O movimento - que cresce espontaneamente, pela força das redes sociais, por fora dos partidos e das organizações tradicionais - já se equipara às históricas manifestações pela redemocratização do país, as "Diretas já!" e os "caras-pintadas" que anteciparam o impeachment do presidente Fernando Collor.

Os governantes estão sendo questionados e desafiados - todos eles: prefeitos, governadores e a presidente da República. Acostumados a um raciocínio cartesiano, dizem-se dispostos a "negociar com os líderes do movimento", sem compreender a horizontalidade e o espontaneísmo das manifestações.

Iniciados a partir do Movimento Passe Livre, composto por meia centena de jovens bem articulados que defendem a "tarifa zero" no transporte público, os protestos escapam de qualquer controle ou direcionamento político-partidário. Não há líderes nem liderados. O que toma conta das ruas é a indignação do povo. Tudo isso faz bem para a alma.

Leia também:

As vozes que se ouvem nas redes e nas ruas   

Maior onda de protestos no Brasil em 21 anos leva mais de 250 mil às ruas

Análise: Movimento está divorciado dos políticos tradicionais

Em protesto de SP, maioria não tem partido, diz Datafolha

Roda Viva: Movimento Passe Livre

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

As vozes que se ouvem nas redes e nas ruas

Ouça as vozes das ruas e das redes. Alguma coisa está acontecendo. Já podemos vislumbrar mudanças sociais? Econômicas? Políticas?

A profundidade e a importância dos acontecimentos, como em quase todos os fatos históricos, não saberemos agora, no calor das emoções, mas com o distanciamento crítico e o passar do tempo. Porém, o movimento está aí, queiramos ou não.

Não se trata de um protesto por míseros 20 centavos na tarifa de ônibus. Acorde! Caia na real! O que une cada vez mais pessoas é a indignação e o descontentamento contra os abusos do poder, contra o descaso, contra o(s) governo(s), contra a corrupção, contra a desiguldade, contra a intolerância, contra a injustiça.

Será um movimento espontâneo ou orquestrado? Pouco importa, ainda que seja significativo e didático que o PT experimente do seu próprio veneno. De pedra a vidraça, não passarão incólumes as contradições da transformação do partido-modelo da oposição em traidor das causas populares e sociais no governo.

Cada um manifesta os seus próprios motivos, mas a soma de cada interesse (individual ou coletivo) torna crescente a onda que atinge as grandes cidades. Não é à toa que as pessoas estão nas ruas. Há excessos? Sim, mas também existe legitimidade e vida inteligente entre os dois extremos: entre aqueles que só tem olhos para violência exacerbada da polícia e os que enxergam unicamente os atos de vandalismo dos manifestantes.

Será o princípio do fim? Estarão contados os dias desses atuais ocupantes do poder? Confirma-se a previsão de que a população está saturada de PT e PSDB, e procura uma via alternativa? Crescem as chances de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014? Por enquanto, são perguntas sem respostas.

Veja outros textos interessantes que também comentam os acontecimentos da semana; colaboram para a reflexão:

Insatisfação 
(Eliane Cantanhêde, colunista da Folha)

Nas décadas de 1960 e 1970, secundaristas e universitários lutaram bravamente contra uma ditadura e a favor de utopias sedutoras. Muitos morreram e foram torturados quase ainda crianças.

Nos anos 1980, novas gerações lutaram nas ruas pelas "diretas, já". E, nos 1990, milhares pintaram a cara pelo impeachment de Collor. Mais do que demolir um presidente indesejável, sonhavam edificar um país mais justo, mais decente.

A década de 2000 passou em branco. Inebriados pelo mito Lula e a miragem da esquerda pura e ética, os movimentos acomodaram-se e a estudantada recolheu-se à sala de aula. Utopias e sonhos coletivos cederam às ambições pessoais. O "cada um por si" venceu o "um por todos, todos por um".

As manifestações de agora começaram por 20 centavos a mais na passagem de ônibus em São Paulo e alastraram-se para Rio, Curitiba, Goiânia, Teresina e outras capitais. Coincidiram com os tambores de guerra dos índios e podem ser o fim da longa hibernação, um sinal para os Poderes da República. Basta de violência, de desvios, de impunidade.

É nesse clima que o país é informado de uma tal "Resistência Urbana - Frente de Movimentos e Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa". No Rio, fazem passeatas. Em Brasília, queimam pneus e fecham avenidas contra a farra dos estádios com dinheiro público.

E os protestos vão longe. Pela internet, o novo "Democracia não tem fronteiras" convoca estudantes e trabalhadores brasileiros para manifestações, terça-feira, em 30 cidades de 15 países.

Seria ingenuidade imaginar que tudo isso é uma enorme coincidência e que não há nenhuma conexão entre grupos e manifestações - ao menos uma mesma motivação.

O espectro da insatisfação ronda o Brasil. E pode explicar até a inexplicável violência de policiais -eles próprios são cidadãos irritados.

Faroeste urbano
(Suzana Singer, ombudsman da Folha)

Imprensa é acusada de chamar manifestantes de 'baderneiros' e de criticar a polícia por corporativismo

Os protestos que tomaram a avenida Paulista deixaram um rastro de destruição, uma centena de feridos, duas centenas de presos e muita indignação em relação à mídia.

A primeira onda de críticas acusava a imprensa de tratar a todos como "vândalos" e de destacar apenas os estragos provocados pelo que seria um pequeno grupo entre os milhares de manifestantes.

De fato, Folha, "Estado" e "Jornal Nacional" só tinham olhos para a destruição provocada pela turba. Não há dúvida de que a notícia principal era o ânimo incendiário de parte dos ativistas, mas o erro foi ter generalizado. Não se dimensionou qual era a parcela dos manifestantes que estava ali apenas para depredar nem se deu o devido destaque aos demais.

A Folha abriu espaço para que os líderes do Movimento Passe Livre publicassem um artigo explicando "por que estamos nas ruas", mas não havia menção ao texto na "Primeira Página", que trouxe, por dois dias seguidos, a história do policial que, apesar de ferido, não atirou contra os manifestantes.

Os que acreditavam que a Folha estava sendo injusta com o movimento ganharam um fortíssimo argumento com a publicação, na quinta-feira, do editorial "Retomar a Paulista". Os ativistas foram definidos como "jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária".

O "grupelho", segundo o texto, "ciente de sua condição marginal e sectária", move-se por uma "intenção oculta de vandalizar equipamentos públicos e o que toma por símbolos do poder capitalista".

"É hora de pôr um ponto final nisso", conclamava o editorial, em consonância com o "Estado de S. Paulo", que publicou no mesmo dia "Chegou a hora do basta".

A diferença entre os dois textos era que a Folha indicava a "força da lei" para coibir o vandalismo ("investigar, identificar e processar os responsáveis"), enquanto o "Estado" incitava o governador Geraldo Alckmin a abandonar o que seria uma postura "excessivamente moderada" para deixar a polícia "agir com maior rigor".

Tudo mudou na edição de sexta-feira. A Folha era toda crítica à ação policial, avaliada como "violenta". Havia flagrantes de abusos, depoimentos de feridos, o relato de que os distúrbios foram provocados pela Tropa de Choque e até uma foto de manifestantes "do bem" ajudando um senhor a fugir da confusão.

O "Estado" noticiou a truculência policial, mas falou em "confronto" entre manifestantes e PM.

Em vez de elogios, a Folha recebeu uma segunda onda de críticas: o jornal só teria mudado de postura porque teve sete repórteres feridos, um dos quais gravemente.

Essa acusação, de corporativismo, é injusta. A edição refletiu uma passeata diferente das anteriores, na qual os militantes estavam incrivelmente bem-comportados e a polícia, muito mais agressiva.

Em editorial publicado ontem, o jornal acusou a PM de ter "protagonizado um espetáculo de despreparo, truculência e falta de controle ainda mais grave que o vandalismo e a violência dos manifestantes, que tinha por missão coibir".

Mas a luta continua. Há um novo ato marcado; o movimento pode crescer e ganhar mais legitimidade -antes da pancadaria, o Datafolha já registrava que 55% dos paulistanos apoiavam os protestos.

À reportagem cabe manter o prumo e se dedicar a explicar quem são esses jovens insatisfeitos, de onde vêm e o que os move. O leitor já percebeu que eles não são nem os "baderneiros marginais" dos primeiros protestos nem as "vítimas indefesas" do último ato.

O fracasso da democracia
(Clóvis Rossi, correspondente da Folha)

O sistema está sendo incapaz de processar os grandes atos de protesto, na Paulista ou na Europa


Começo por onde esse excelente Hélio Schwartsmann terminou sua coluna de sexta-feira na Folha: "Mesmo rejeitando o vandalismo, deve-se reconhecer que protestos por vezes tonificam a democracia".

De acordo, Hélio. Pena que essa indiscutível verdade teórica esteja sendo desmentida na prática nos últimos muitos anos - e não só nem principalmente no Brasil.

Desde os primeiros grandes protestos contra a globalização, adquiri vastíssima quilometragem na cobertura de manifestações de massa em diferentes países e por diferentes motivos. São mais de 20 anos de gás lacrimogêneo ingerido e de incontáveis vidraças de McDonald's quebradas (não por mim, que fique claro), o suficiente para poder afirmar que a democracia está sendo incapaz de processar os protestos que deveriam tonificá-la.

Tome-se o caso dos protestos contra a globalização: perseguiam cada reunião internacional, qualquer que fosse o local de sua realização.

Uma das maiores (Seattle, 1999) conseguiu a nada desprezível proeza de impedir que a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright à época, fizesse o discurso inaugural de uma conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio.

Nunca me esqueci de uma jovem estudante a quem eu tentava convencer de me deixar passar para o centro de imprensa, argumentando que precisava contar ao mundo o que eles estavam fazendo. E ela: "Fuck you. Não precisamos de vocês para isso".

Parecia absolutamente segura de que as mídias alternativas relatariam a marcha triunfal rumo ao sucesso dos grupos que a direita batizou de "globalifóbicos" para tentar ridicularizá-los.

A marcha triunfal foi interrompida pelo 11 de Setembro e pela malandra equiparação dos protestos a terrorismo (muito pior do que acusar os manifestantes apenas de vândalos, certo?).

Mais recentemente, vieram os "indignados". Multidões em praças públicas que fazem parecer meros convescotes em família os grupos reunidos na avenida Paulista. Obtiveram resultados? Nenhum. O "austericídio" prossegue impávido, enquanto os "indignados" submergem. Estão por aí, mas não conseguem traduzir sua força numérica em propostas que a democracia possa processar com seus mecanismos convencionais.

A consequência desse descompasso pode ser terrível, escrevem para "El País" José Ramón Montero e Mariano Torcal, catedráticos de Ciência Política em Madri e Barcelona, respectivamente:

"Se os protestos se mantiverem ante a incompetência, a acomodação ou a frivolidade das elites políticas, o descontentamento poderia radicalizar-se e chegar ao âmbito eleitoral, com consequências imprevisíveis. E, se os protestos forem sistematicamente descartados e não forem acompanhados de mudanças relevantes, o desamor poderia agravar os sentimentos de frustração entre os que por fim exercem sua voz".

Vale para a Espanha, vale para o resto da Europa, vale para o Brasil. Cá como lá, a democracia está flácida em vez de tonificada.

Os pobres felizes
(Fernando Rodrigues, colunista da Folha)

Milhares de pobres felizes inundarão a TV em comerciais estatais nos próximos dias falando como é maravilhoso comprar um forno de micro-ondas ou um sofá financiado por Dilma Rousseff. A presidente despejará bilhões de reais nessa nova modalidade de felicidade instantânea - futura nem tanto.

Os comerciais de TV do governo (por meio da Caixa) são o único ambiente do mundo no qual os pobres estão sempre 100% felizes. Faz parte. Propaganda é para melhorar o astral de quem assiste. Afinal, quem olha pela janela em grandes centros urbanos não tem visto tanta alegria assim nos últimos dias.

As manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo e em outras capitais podem ser analisadas de várias formas. Muito já foi dito (e ainda será) sobre o despreparo da polícia. Ou a respeito do vandalismo incivilizado de parte dos ativistas.

Só que o mais relevante talvez seja a mensagem difusa vinda das ruas. Apesar do alto grau de aprovação das administrações federal e estadual (de São Paulo), há uma insatisfação latente em grandes metrópoles. Está claro que o tal Movimento Passe Livre não controla tudo.

Para cada pessoa protestando na rua há outras milhares que preferem ficar em casa, embora não menos insatisfeitas. Uma análise chapa-branca poderia argumentar que os protestos atuais são inconsequentes. O Brasil crescerá neste ano mais do que em 2012. Há pleno emprego. Tudo isso é verdade. Ainda assim, cidadãos podem considerar isso insuficiente para sorrir como nas propagandas.

Quem vive em grandes cidades sabe muito bem. São Paulo e Rio têm cotidianos inviáveis. Trânsito insuportável, transporte público péssimo, poluição, saúde pública ruim. Há, é claro, o programa Meu Micro-Ondas, Minha Vida. Mas, às vezes, só um eletrodoméstico é pouco para manter os cidadãos comportados dentro de casa e assistindo a pobres felizes nos comerciais de TV.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Convite: 17 de junho, livro sobre Armênio Guedes


Quem é Armênio Guedes

Armênio Guedes completa 95 anos neste mês de maio, é um jornalista, dirigente histórico do PCB e incansável militante comunista.

Armênio veio de uma familia de comunistas. Foi secretário de Luís Carlos Prestes, com teve uma relação de admiração tensa, e estava com Prestes quando ele recebeu a noticia da morte de Olga Benário.

Em 30 de março de 2012, foi homenageado com o título de Cidadão Paulistano, oferecido pela Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel (PSB).

É um dos intelectuais mais identificados com a tradição "pecebista", ou seja, de buscar um “caminho democrático (e pacífico) para o socialismo”. Foi um dos redatores da “Declaração de Março de 1958”, um marco deste mesmo ideal. Por decisão partidária, viveu no exílio, passando muitos anos no Chile e depois na França, antes de regressar ao Brasil.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Bancada do PPS defende Parque Ecológico na Mooca

Entre as emendas que a bancada do PPS, composta pelos vereadores Ari Friedenbach e Ricardo Young, está apresentando à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2014, que será discutida hoje (quinta-feira, 13 de junho), em primeira votação, na Câmara Municipal de São Paulo, destacamos a seguinte:

Emenda: Desapropriação de área particular da antiga Esso, em processo de descontaminação há mais de 10 anos supervisionada pela Cetesb, para implantação do Parque Ecológico da Mooca, entre a avenida Barão de Monte Santo e a rua Vitoantonio Del Vecchio.

Justificativa: Trata-se de uma reivindicação antiga da comunidade da Mooca, um dos bairros com menor índice de áreas verdes por habitante, no terreno de cerca de 100 mil metros quadrados onde funcionou por 60 anos um depósito de combustíveis da Esso. Há interesse de algumas construtoras para erguer condomínios residenciais no local. Porém, a população local é amplamente favorável à implantação do parque, entre a avenida Barão de Monte Santo e a rua Vitoantonio Del Vecchio, no Parque da Mooca. 

O PPS também está nessa luta há muitos anos. Uma das primeiras postagens do Blog do PPS, em março de 2007, já tratava do tema: Novo "pulmão verde" em São Paulo.

Leia mais aqui sobre a reivindicação da comunidade.